"A população desocupada (12,9 milhões de pessoas) diminuiu 10,4% (menos 1,5 milhão de pessoas) frente ao trimestre terminado em julho (14,4 milhões de pessoas) e caiu 11,3% (menos 1,7 milhão de pessoas) ante ao mesmo trimestre móvel de 2020 (14,6 milhões de desocupados)", informou o IBGE.
Evolução do número de desempregados — Foto: Economia g1
Ocupação cresce, mas renda média atinge mínima histórica
O contingente de ocupados no país aumentou 3,6%, o que representa 3,3 milhões de pessoas a mais no mercado de trabalho em relação ao trimestre encerrado em julho. Em 1 ano, houve aumento de 8,7 milhões de trabalhadores.
O nível de ocupação, que é o percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar, subiu para 54,6% no trimestre encerrado em outubro, o maior desde abril do ano passado.
Apesar da queda do desemprego e aumento do número de ocupados, o rendimento médio real habitual do trabalhador (descontada a inflação) caiu para R$ 2.449 –o menor valor já registrado na série histórica da pesquisa, iniciada em 2012. O valor representa uma queda de 4,6% frente ao trimestre anterior e uma redução de 11,1% relação a igual trimestre de 2020.
Já a massa de rendimento foi de R$ 225 bilhões, com queda de 1,1% na comparação com o trimestre anterior e recuo de 1,9% em 1 ano, o que foi classificado pelo IBGE como estatisticamente estável.
“Apesar de haver um crescimento significativo da ocupação, a massa de rendimento permanece estável. Isso acontece porque o rendimento do trabalhador tem sido cada vez menor – seja porque a expansão do trabalho ocorre em ocupações de menores rendimento, seja pelo avanço da inflação nos últimos meses”, explicou a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy.
A pesquisa do IBGE mostra que o rendimento médio do trabalhador com carteira assinada foi de R$ 2.345, enquanto que o do emprego sem carteira assinada e do trabalho por conta própria informal foram de R$ 1.528 e R$ 1.458, respectivamente.
40,7% dos ocupados na informalidade
A taxa de informalidade manteve a trajetória de alta, atingindo 40,7% da população ocupada, ou 38,2 milhões de trabalhadores. No trimestre anterior, a taxa havia sido 40,2% e, no mesmo trimestre de 2020 estava em 38,4%.
O aumento da população ocupada tem sido puxado pelo trabalhado por conta própria. O número de trabalhadores dessa modalidade, que inclui os bicos, cresceu 2,6% (638 mil pessoas) na comparação mensal e 15,8% (3,5 milhões de pessoas) na comparação anual, chegando ao contingente de 25,6 milhões.
O número de empregados sem carteira assinada chegou a 12 milhões, com alta de 9,5% (1 milhão de pessoas) ante o trimestre anterior e de 19,8% (2 milhões de pessoas) em relação a igual trimestre de 2020.
Já número de empregados com carteira de trabalho assinada totalizou 33,9 milhões de pessoas, subindo 4,1% (mais 1,3 milhão de pessoas) frente ao trimestre anterior e 8,1% (mais 2,6 milhões de pessoas) frente a 2020.
Trabalho por conta própria puxa alta da ocupação — Foto: Economia g1
Do acréscimo de 3,3 milhões de pessoas na população ocupada nos últimos 3 meses, 40% foram trabalhadores com carteira assinada, segundo o IBGE. "Embora o emprego com carteira no setor privado ainda esteja em um nível abaixo do que era antes da pandemia, vem traçando uma trajetória de crescimento”, destacou a pesquisadora.
O comércio liderou a geração de postos de trabalho no trimestre encerrado em outubro. O número de ocupados no comércio cresceu 6,4% em 3 meses, o que representa 1,1 milhão de pessoas a mais trabalhando no setor. Em 1 ano, o avanço foi e 10,9% ( 1,7 milhão a mais). Veja gráfico abaixo:
Evolução da população ocupada por segmento de atividade — Foto: Economia g1
5,1 milhões de desalentados e 7,7 milhões de subocupados
O número de desalentados (pessoas que desistiram de procurar trabalho devido às condições estruturais do mercado foi estimado em 5,1 milhões de pessoas, o que representa uma queda de 3,8% (menos 199 mil pessoas) frente ao trimestre anterior e de 11,9% (menos 683 mil) no comparativo internanual.
A população subocupada por insuficiência de horas trabalhadas, ou seja, que trabalha menos horas do que gostaria totalizou 7,7 milhões de pessoas, contra 7,8 milhões no trimestre. Há 1 ano, porém, o número era menor: 6,5 milhões.
Faltam oportunidades para 29,9 milhões
O levantamento do IBGE mostrou ainda que faltavam oportunidades no mercado para cerca de 29,9 milhões de trabalhadores. Este contingente forma o que o instituto classifica como trabalhadores subutilizados. Há 1 ano, porém, era 33,1 milhões nessa situação.
A taxa composta de subutilização caiu para 25,7%, ante 27,9% no trimestre anterior e 29,6% no 3º trimestre do ano passado.
Entre os destaques positivos, houve queda de 2,1% na população fora da força de trabalho na comparação com o último trimestre e redução de 7,7% no comparativo interanual. O total de pessoas que não estavam nem ocupadas nem desocupadas somaram 65,2 milhões de pessoas. Há 1 ano, eram 70,5 milhões fora do mercado de trabalho.
Repercussão e perspectivas
Apesar da trajetória de queda do desemprego, a recuperação do mercado de trabalho tem sido puxada pelo aumento o número de trabalhadores subocupados e informais, e vem sendo marcada pela queda do rendimento médio da população ocupada.
O economista da Necton, André Perfeito, destaca que a massa salarial, ou seja, a quantidade de "dinheiro na mesa" por assim dizer, permanece no mesmo patamar do pior momento da crise da pandemia.
"Geralmente comemoramos a queda do desemprego uma vez que isto sugere que o mercado de trabalho aquecido deve elevar os salários, mas nada mais longe da verdade que isso no momento atual. A combinação de atividade ainda fraca, que tem segurado os salários, e inflação ainda elevada criou os piores resultados possíveis quando se chega a renda efetivamente", avaliou.
Vale lembrar que nos meses anteriores à pandemia, a taxa de desemprego no país estava ao redor de 11,5%. O banco Modalmais destacou que, em relação ao patamar de fevereiro de 2020, a população ocupada ainda está 0,8% abaixo.
Entre os fatores que dificultam uma retomada mais firme do mercado de trabalho e a geração de vagas de melhor qualidade estão a piora das expectativas para a economia em 2022, as incertezas fiscais e políticas em ano de eleições presidenciais, e a trajetória de alta da taxa básica de juros, que encarece os investimentos e os financiamentos de empresas e consumidores.
Os índices de confiança do comércio e de serviços voltaram a cair em dezembro, segundo mostrou nesta terça o Instituto Brasileiro de Economia da FGV (FGV IBRE), indicando a piora do otimismo dos empresários.
A projeção do mercado financeiro para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 2022 passou de 0,50% para 0,42%, segundo o boletim Focus do Banco Central. Já a estimativa para a Selic é de 11,50% ao ano para o fim de 2022, o que pressupõe novas altas do juro básico da economia no próximo ano. Para a inflação, a previsão é de 5,03%.
Para o mercado de trabalho, a expectativa é de desaceleração do ritmo de recuperação e de ligeira alta da taxa de desocupação no ano que vem. A XP projeta que o desemprego atingirá 11,8% ao final de 2021, chegando a 12,4% ao final de 2022. "A nosso ver, a taxa de desocupação subirá - ainda que modestamente - no 2º semestre do próximo ano, em linha com o enfraquecimento da demanda doméstico", destacou em relatório.
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